terça-feira, julho 22

Vulcões




Tudo é frio e gelado. O gume dum punhal


Não tem a lividez sinistra da montanha


Quando a noite a inunda dum manto sem igual


De neve branca e fria onde o luar se banha.




No entanto que fogo, que lavas, a montanha


Oculta no seu seio de lividez fatal!


Tudo é quente lá dentro…e que paixão tamanha


A fria neve envolve em seu vestido ideal!




No gelo da indiferença ocultam-se as paixões


Como no gelo frio do cume da montanha


Se oculta a lava quente do seio dos vulcões…




Assim quando eu te falo alegre, friamente,


Sem um tremor de voz, mal sabes tu que estranha


Paixão palpita e ruge em mim doida e fremente!




Florbela Espanca

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