quinta-feira, maio 31

O Gato e a Gata


Miauuuu... disse uma gata realizada.

segunda-feira, maio 7

Sou um deserto que monologa

Obra da querida amiga Luiza Caetano: http://www.luizacaetano.com
"Sou um deserto que monologa",.
Viollet Leduc

Violette Leduc não quer agradar. Não agrada e até assusta. Os títulos de seus livros — L' Asphyxie (A Asfixia), L'Affamée, (A Faminta), Ravages (Destroços) — não são divertidos. Ao folheá-los, entrevemos um mundo pleno de ruído e raiva, onde o amor muitas vezes traz o nome de ódio, onde a paixão de viver se expande em gritos de desespero. Um mundo devastado pela solidão e que de longe parece árido. Não o é, porém. "Sou um deserto que monologa", me escreveu um dia Violette Leduc. Nos desertos encontrei belezas incontáveis. Quem quer que nos fale do fundo de sua solidão fala de nós. O homem mais mundano ou o mais militante tem seus recônditos onde ninguém se aventura, nem mesmo ele, mas que lá estão: a noite da infância, os fracassos, as renúncias, a brusca emoção de uma nuvem no céu. Surpreender uma paisagem, um ser, tais como existem em nossa ausência: sonho impossível que todos nós acariciamos. Se lemos A Bastarda, o sonho se realiza, ou quase. Uma mulher desce ao mais secreto de si mesma e se revela com uma sinceridade intrépida, como se não houvesse ninguém para escutá-la.

Simone de Beauvoir


Pois é, lendo esse prefácio de Beauvoir, lembrei de uma conversa recente em que eu afirmei que gostaria de me sentir mais livre para escrever - mas acho que não é só pra escrever: é também pra falar, pra amar, pra transar, pra viver - porque eu acabo sempre me preocupando com o que posso provocar nas pessoas. Eu não quero ser nociva, não quero magoar, não quero me sentir culpada. Não quero ser má. Eu, no fim das contas, fico às voltas com essas antecipações, esses cálculos e acaba me faltando ar. Acaba apertando essa algema. Estou aqui pensando com meus botões que está na hora de acabar com a bocca chiusa e botar a boca no trombone. Fazer um staccato bem sonoro, pra aquecer e usar a dinâmica musical com todas as suas variações, sair do pianissimo e ir crescendo, mezzo forte, forte e principalmente, sem amarelar na hora do fortissimo, soltar a voz pela estrada molto fortissimo. Não deixar nada preso na garganta. Acho que a estréia está chegando. Merde pra todos.

quinta-feira, maio 3

Cataventos



"(...)Catavento enlouqueceu,
Ficou girando, girando.
Em torno do catavento
Dancemos todos em bando.
Dancemos todos, dancemos,
Amadas, Mortos, Amigos,
Dancemos todos até
Não mais saber-se o motivo…
Até que as paineiras tenham
Por sobre os muros florido!"
Mario Quintana

Uma nuvem de idéias passeia sem nenhuma pressa dentro de mim, estou numa fase produtiva, ao que parece.

Ontem alguém me perguntou, com outras palavras, por que uma mulher como eu (segundo essa pessoa, eu sou: bonita, "sexy" e inteligente), bem, por que eu estaria sozinha (entenda-se esse sozinha como sendo solteira = sem um homem, namorado ou marido). A verdade verdadeira mesmo é que no momento essa não é nem de longe uma preocupação pra mim e nem sei se voltará a ser, assim, pelo menos do mesmo jeito que era há pouco tempo atrás.
Não se preocupem os leitores deste blog - vocês, meus caros, que já devem ter percebido que são poucos e fiéis, amigos queridos já, conhecidos pessoalmente ou não - não se preocupem, não estou fazendo votos de castidade, longe de mim isso, que não tenho vocação pra freira, nem pra eremita, ou coisa que o valha.
Mas a questão, que eu quero apontar assim, ó, usando o dedo indicador mesmo, como me ensinaram que é feio fazer e atropelando as consciências fabricadas e civilizadinhas que passeiam pelas calçadas: eu tô me lixando pro convencional, tô emputecida com os estereótipos e tô ficando velha demais pra acreditar que eu preciso ter certos atributos pra ser feliz. Ter homem, casa, cachorro e filho, casa na praia e poupança. Ter, ter, ter. Tô de saco cheio de ouvir essa ladainha, já tô com nojo de conversinha fiada sobre bolsas Victor Hugo legítimas, vinho francês que eu nem sei pronunciar o nome, cirurgias plásticas e outras merdinhas afins. Esse disco não tem um lado B, pelo amor de deus?

Eu quero SER.

E outra nuvem de idéias passeia sem nenhuma pressa dentro de mim, estou numa outra fase, ao que parece.