segunda-feira, setembro 22
Para meu amigo Leo
Pra realizar aquela sua fantasia
Você lembra?
Tanta coisa na vida eu deixo assim
Livre das urgências, longe de emergências
Sou uma antítese da pressa
Escuto e sussurro coisas
Faço dias dos fragmentos de tempo
Como quem monta um quebra-cabeça
Eu vivo num jogo de paciência
Mas fala comigo a tua letra avessa
Meu ritmo cardíaco errante
Entende o compasso do teu verbo
E essa tua percussão tão precisa
Eu falo quase na quietude da simplicidade
Sobre a tua complexidade berrante
Espero que a conversa sempre avance
De um lado, que a tua pressa grite
Poderosa, adjetiva, exagerada
Vivamente escrita
Enquanto por aqui
Vou escrevendo
Como quem canta
O Mantra.
sábado, setembro 20
Sartreana

terça-feira, setembro 9
Mudanças e andanças interiores
Olhar pra trás e não virar pó. Nem uma estátua de sal. Não é fácil. O passado é feiticeiro, prende e paralisa momentos que eram tão vivos e fossiliza tudo. É tão rápido que na vida um acontecimento assim nos faz virar nada, se não tivermos algum cuidado. Basta uma virada, um olhar breve e não se vê jamais o mesmo de novo. E lá está diante de nós: um deserto, um vazio, um vento seco que sopra ríspido em tom de mágoa ou em outros tons diferentes mas que vão todos arranhando a gente. Eu sabia que não podia olhar pra trás, que tinha que seguir em frente sem pensar, mas eu não pude evitar. Foi simplesmente um movimento meu, uma andança que eu precisava fazer nesse deserto. Constatar a paisagem, testar uma amizade, esperar uma generosidade ou uma gentileza, talvez fazer um pedido grande demais. Mas foi uma coisa que não pude evitar. Uma sinceridade que olhou antes de mim, através de mim, apesar de mim e se virou mesmo ciente dos avisos e do pacto tácito. Não quis ser o olhar de uma traidora, nem trazer nem deixar uma sensação de abandono, não quis ser o que foi. Não posso desfazer o olhar que se voltou pra trás e viu. Mas não viremos pó na paisagem desolada, só o que houve é que ficamos distantes. A distância é uma mudança, é uma coisa viva, algo que acontece entre humanidades, solidariedades, amizades. Ela cria um vão que guarda algo de bom. Irrecuperável, mas bom.
“Lembrai-vos da mulher de Ló” (Lc 17.32)
Les Femmes

Que mulher poderia expressar melhor
"De todos os que têm alma e pensamento,
nós, mulheres, somos a criatura mais infeliz.
Primeiro, é preciso, com o máximo de bens,
comprar um marido, e tomar o déspota de nossos
corpos. Esse mal é mais doloroso do que o próprio mal.
(.....)
Dizem que vivemos uma vida sem perigos,
em casa, enquanto eles guerreiam com a lança;
e pensam mal, pois preferiria eu três vezes
lutar com o escudo a parir uma única vez."
segunda-feira, setembro 8
Apontamentos sobre a raiva
Retrato de Edward James - René Magritte"(...) a mais popular das metáforas da cultura ocidental à qual a raiva está atada é aquela de que 'as paixões são bestas dentro de uma pessoa [e] o comportamento de alguém que perdeu o controle é o comportamento de um animal selvagem'". Lakoff apud Santaella 2004: 162
"O que é verdadeiro, na maior parte das vezes, entretanto, é que a raiva é uma caso intersubjetivo".
A raiva é um espelho terrivelmente cego.
sábado, setembro 6
Excultura

