domingo, novembro 26

Carta a um antipoético



Ocasional encontro
Corações disparados
Mãos trêmulas tateiam
caminhos já conhecidos
Beijos quase eternos
Silêncios

Tantos mistérios
caem feito lágrimas esquecidas
Sou metade feliz
Comigo um convite
nunca confesso de todo

Mal aprendo a estar contigo
Já te vais
meu relâmpago de contentamento
Ouço teus planos
de um futuro
ausente de mim

Fico sempre escandalizada
com o tanto que te é fácil
dar-me teu adeus!
Partes com uma felicidade obscena
Despeço-me por dias e dias
Teimosa das lembranças
da tua voz
do teu calor
das incertezas

Terá mesmo acontecido como me lembro
ou terá sido somente um sonho meu?
No fim pode ter sido tudo
o tempo todo
sempre eu?