quarta-feira, julho 30

Perplex(idade)

"O júri", obra de Di Cavalcanti


Olho para todo esse mundo submerso de vontades que não são minhas: universo estranho e exótico no qual eu não sei nem como me mover nem como respirar. Estou aqui sufocando na inexatidão dos meus juízos e das minhas esperanças. Tão enganada, tão perdida e inadequada para o jogo. Eu sonhava com uma humanidade tão distinta dessa que eu vejo agora. Move-se uma peça do tabuleiro e eu penso e penso, mas não entendo. Não sei prever, não sei calcular antes. Eu tenho um peito aberto, feridas expostas, nenhuma armadura, não uso artimanhas. Eu não sei jogar. Pra falar bem sinceramente eu não tenho vontade de jogar assim. Não quero. Tenho que encontrar outra maneira de existir. Esse jogo não é meu.

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