Um dia comprei um livro que tratava do tema do imaginário que se fez em torno da figura ou imagem do coração como representação dos sentimentos; na época tinha tão pouco conhecimento do que se tratava o amor, por alguma razão nunca li o livro. Hoje me lembrei dele, lá na estante, guardado para depois.
Interessante como tenho livros que ficam assim, em stand by, mas que eu compro porque sei de algum jeito, que não sei explicar, que precisarei dele algum dia. Pode ser um fenômeno de premonição ou uma relação de atração que misteriosamente se processa nesses momentos, nossos olhos passeiam por entre as fileiras de livros e se põem em contato com um entre tantos, aquele que aparece de repente em destaque naquela multidão. Quando vamos à livraria temos uma atitude de caçador, damos uma busca como um paquera quando está em um bar: a busca por um olhar, por um tom de voz, por fragmentos de algo que seja especial e que fale para nós, em um murmúrio absolutamente particular.
Assisti nesta tarde ao filme "Banquete do Amor" ou "The feast of love", na trama há um personagem que é dono de uma cafeteria e que é observado por um cliente-conselheiro-amigo. O último mostra-se astuto no início do filme em detrimento da cegueira do coração apaixonado do primeiro. Esses lugares se invertem, mais ao final do filme. Gosto de pensar que na vida todos ocupamos lugares e papéis que são momentâneos e a roda-gigante dos dias vai virando quase sem sentirmos e nos faz experimentar o doce e o amargo, farturas e penúrias, cada coisa a seu tempo. Esse é um ponto de vista que está presente nesse filme, mas o mais interessante é a aprendizagem do amor, as lições do"coração" que vão se desenrolando ao longo da história.
Identifiquei-me com o personagem esse, o dono da cafeteria, porque ele ama sem ser correspondido, ele ama sem pedir nada em troca, e entra e sai de relacionamentos que sempre deixam-no nessa mesma posição: feito cachorrinho sem dono. Claro, não vou contar o filme, não se preocupem, só queria dizer que me vi ali nesse personagem por inúmeras experiências diferentes que se mostraram estranhamente iguais. Acho que como o Bradley, o tal personagem, também salto de olhos fechados, no amor é preciso abrir os olhos para saltar. Não quero viver mergulhada em abismos. Provavelmente meu coração está em stand by junto com aquele livro lá da prateleira. O fato é que continuo não tendo lido o tal livro ainda. Eu protelo tantas coisas na vida, mais uma ou menos uma não faz muita diferença, ou será que faz?

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