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Às Vezes Tudo se Ilumina
(Mario Quintana)
Às vezes tudo se ilumina de uma intensa irrealidade
E é como se agora este pobre, este único, este efêmero instante do mundo
Estivesse pintado numa tela, sempre...
Nesse meu agora, assisto impotente a uma luta pela vida: eu penso, penso, penso. Como quem analisa um teorema. Penso na minha impotência, na da medicina, na da humanidade. Penso na efemeridade realmente irreal da vida.
Eu sinto o difícil que é admitir que tudo se vai um dia, que a gente se vai. Sinto isso na náusea que está em ti e acaba nascendo em mim também, compartilho da tua náusea e o agora fica quase insuportável porque eu não quero te perder e fico mareada de tanto pensar. Tem que passar isso, eu queria que amanhã já fosse hoje e tudo fosse para o seu devido lugar.
Que infantilidade, não é? Sou muito infantil quando sofro. Sou infantil, assim, no sentido de que vejo tudo como se fosse pela primeira vez. Como se eu já não soubesse. Eu experimento um estranhamento, como se a minha rua tivesse mudado de lugar, como se as coisas na minha casa eu já não soubesse onde achar, como se girássemos ao contrário no espaço e tudo estivesse fora da ordem, como quem acaba de chegar. E continua se espalhando essa náusea nesse instante, me embrulha o pensamento e preciso expulsar o medo em golfadas. Sinto o peso da espera.
Acho que espero um instante em que tudo se ilumine de uma outra coisa menos irreal.

3 comentários:
às vezes a gente precisa mergulhar nesse vazio para se encontrar. é no vazio que se encontra as melhores coisas. na verdade, as únicas que valem a pena...
bjo grande!
não será essa a espera das crianças?
Cara, é exatamente como hj me sinto, vem cá eu t contei alguma coisa?!
Rsrs*
Eu sou mto infantil qnd se trata de amor, as vezes esqço q ja cresci, não caibo mais me mim...
Bjs
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