domingo, janeiro 28


Sabes, querido, se me olhas agora, depois do encanto
Verás que daquela de pele alva e gemidos leves -
que conversavam com teu abraço -
só sobraram os trapos, cabelos gastos,
olhos secos que pinicam.



Olympia, a velha boneca
jogada num canto - bem onde me deixaram.
Esqueceu seu nome - tanto tempo faz que já não me chamam.



A voz que te acariciava
ficou escura e sumiu no breu.
Daquela vontade de dançar;
nada.

Já ninguém pode mais me entender
agora.
Do fundo deste oco que eu tenho dentro
tem um choro de criança

que mal reconheço,
um pedido abafado e sozinho,
perdido no tempo.

Nenhum comentário: