
Meu sal escorre pelas fendas do tempo
Irriga a crosta quente e seca das coisas
Faço minha a colheita de palavras cortantes e nuas
Tantos anos e tantas perdas
Tudo tão distante de mim, às vezes
Meus bens alienados,
meus amores perdidos
Palavras nuas agora
que vivem apenas
da insistência de se plantar lembranças
na terra branca da memória
Quase não reconheço isso que escrevo
Estranho o rosto de mulher com que me olho
Por trás do texto...
o texto do tempo.

7 comentários:
e que tempo habitará por trás do texto do tempo?
engraçada essa estranheza, né... esse descompasso. caminhos insondáveis do tempo...
de sua autoria?
lindo!
um beijo Adri, saudades
voilá! lindo!
falou comigo tb!
bjo
Muito bonito seu poema.
Esse estranhamento, as perdas, o tempo, fez um texto claro, conseguiu traduzir em palavras um sentir.
abraços
Você também se impressiona por se achar muito diferente de si mesma em lembranças ou imagens antigas? Eu sim. Grandes versos soprano...
abraço!
Identificação instantânea ACME. Belo texto, Dri! Beijo!
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