sábado, abril 26

Desnuda



Falo comigo mesma
confio minha nudez
às paredes quietas do quarto
desfaço-me de cenários e figurinos
mas estou tão segura
lá fora, ficaram os roteiros da previsibilidade
sinto o calor do que se passa dentro de mim
aninhada no aconchego desse meu ar morno
as mãos pousam leves
aterrissando sobre meu colo de estrelas
e explodem no ventre das minhas verdades
eu sou tão eu mesma
já sei
poderia dividir-me em milhões de fragmentos e ainda seria eu
supernovas nascidas de mim
brilhariam fulminantes
deixando o rastro secular
do invisível das sensações
perdidas no espaço do segredo

2 comentários:

renata penna disse...

coisa boa a gente estar nua... pena que não dá para estar assim o tempo todo. coisa chata ter que se defender, vestir a máscara...

Renato Tardivo disse...

é... que delícia - apesar de difícil - isso. pena que, ainda bem, passa. um beijo.