segunda-feira, fevereiro 19

Gustave Klimt, Tragedia (1897-98)


Eu tive uma vida

que não era minha



um sono provisório eu dormia,

intersticial, cansado



sono claro



Eu tinha uma fome

que não tinha nome



apetite cordato,

passo inexato,

chão desapropriado



mexia-se em mim

um bicho vivo

de sopro quente;

dele, as pernas de gazela

que correram por mim

antes do fim


Ainda outras presas virão.



Já eu, não.

Nenhum comentário: