Mudando de saco pra mala, estive visitando a Bienal do Mercosul, que não teve tantos encantos quanto a anterior, mas ainda assim se encontram instalações e obras que garantem alguma diversão com uma ou outra reflexão pra levar pra casa. Uma dessas reflexões só me ocorreu depois de uma sondagem nas fotos que tirei por lá, sobretudo essa daí, que me fez pensar no modo como nos relacionamos com a arte de hoje.
Logo que chegamos ao pier do Cais do Porto, onde está ocorrendo parte das exposições, era um tal de gente clicando aqui, clicando ali, todo mundo de celular e câmeras na mão olhando tudo por trás das lentes das máquinas digitais. Eu confesso que desde o início fiquei na dúvida se fotografava as obras ou as pessoas frente a elas. Simplesmente me encanta observar como as pessoas se comportam e desfrutam das obras de arte, principalmente quando se tem a oportunidade de fotografar como fazemos no nosso dia-a-dia, já que onde vamos temos sempre o verdadeiro vício de querer registrar os instantes, congelá-los e acumulá-los nos nossos computadores. Cada vez mais o olhar digital vai se grudando e compondo nossa aparelhagem visual. Passa a ser um organismo tão importante quanto os nossos primitivos olhos.
Até aí, nada de novo no front, porque isso, como dizia uma professora minha, "até o cachorro da esquina já sabe". Intrigante, nisso tudo, sob o meu ponto de vista, é que esse olhar digitalizado e compulsivo do mundo participa da recepção da obra de arte e origina uma relação criativa que compõe a obra, coisa que desde Umberto Eco ficou notória, quando ele tratou do tema da arte como obra aberta a essas atividades de "leitura".
Enfim, toda essa enrolação é pra contar que antes de ir embora, e já meio cansada, fiz a tal invenção de brincar com as várias dimensões dos cordões de nylon dessa obra que se pode ver aí na foto, e enquanto ainda me divertia criando posições pra ver como sairiam nas fotos, outras pessoas chegavam e começavam a fazer o mesmo. Essa instantânea recriação da obra é, pra mim, o que pode haver de mais bacana e revolucionário na arte: que ela seja imprevisível.

Um comentário:
oi, dri! que bom que voltou!!! está tudo bem?
interessante o texto.já leu alguma coisa do luigi pareyson?
bjos!
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